Goiânia: “Primeiro temos de dar a opção para depois restringir”

Prefeito de Goiânia afirma que os problemas de trânsito da capital só podem ser solucionados com a diminuição do uso de veículos particulares e isso só vai ocorrer com a melhoria da estrutura para outros modais, como ônibus e bicicletas.

A maior dificuldade em melhorar a mobilidade em Goiânia é lutar contra a cultura do carro?

Talvez seja a maior dificuldade de todas as regiões metropolitanas. Mudar a cultura da coletividade para que ela tenha como princípio de que é preferível, em todos os aspectos, o uso de outros modais do que o veículo individual é complexo. Em Madrid (Espanha), com todos os modais já implantados, com restrição de veículos, ciclovias, calçadas, ouvi do responsável pela mobilidade que, a cada ano, havia redução por parte do morador de uso do coletivo para usar carro.

É possível melhorar o trânsito com os investimentos em corredores?

Mesmo com todos os investimentos que estamos fazendo, os maiores da história de Goiânia, ainda assim fará parte do processo educativo, assim que tudo o que está sendo feito estiver funcionando, processos de interferência do poder público para restrição de carros em algumas áreas da cidade. Não saio daqui sem estabelecer isso.

Especialistas apontam que é preciso desestimular o uso do carro. O senhor concorda?

Concordo plenamente. Já é consenso que o desestímulo ao individual precisa ser implantado. Nos países desenvolvidos, com a implantação dos modais de qualidade, continua crescendo a utilização do carro. Londres (Inglaterra) construiu todo o Parque Olímpico (para as Olimpíadas de 2012) sem vaga de estacionamento. O que é um contrassenso com o que temos. No nosso Plano Diretor, quanto maior a edificação, mais vagas devem ser disponibilizadas. Em Londres é o contrário - mais alto, menos vagas.

Há projetos para desincentivar o uso ao carro particular?

Vários projetos, como o escalonamento de horário do comércio, de escolas ou de repartições públicas. Há projeto de instalação de parquímetros para estacionamento rotativo; restrição de áreas para veículos automotores; e até de cobrança de pedágio urbano. Há vários, mas isso é uma segunda fase, depois que todos os investimentos estiveram prontos. Porque primeiro temos de dar a opção para depois restringir, pois se você restringe primeiro, deixa o usuário sem oportunidade de se mover.

O que o senhor tem feito pelo transporte coletivo?

Fizemos parte do que é possível em busca de melhorar o serviço e ter qualidade. Considero melhora quando temos a renovação da frota, sua ampliação, o fato de 90% ser acessível a deficientes, a implantação dos corredores, os novos terminais, que foram executados na última e na minha administração. E considero melhora os investimentos que estão sendo feitos. Com os corredores virão câmeras de segurança, otimização da iluminação, que melhora calçadas e ciclovias. Mas ainda temos problemas.

Fonte: O Popular