DF: Volta para casa tem ônibus e vans piratas na Rodoviária do Plano Piloto

A volta para casa nesta segunda-feira (8), primeiro dia de greve de rodoviários do Distrito Federal, teve ônibus e vans piratas nas plataformas da rodoviária do Plano Piloto. Motoristas e cobradores cruzaram os braços por tempo indeterminado em protesto por 20% de reajuste salarial e 30% no tíquete refeição e plano de saúde familiar. As empresas oferecem 8,34% de reajuste nos salários com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

No fim da tarde, o terminal estava cheio, mas o movimento era menor do que em dias normais. Veículos sem autorização, como ônibus e vans escolares, vans de fretamento e ônibus de empresas pequenas, se revezavam nas baias até a lotação.

Com a paralisação, o movimento no Metrô foi maior do que o normal. A companhia colocou 24 trens entre 16h e 21h. O número máximo de composições é adotado entre 16h45 e 20h15.

A estudante Ana Cláudia Ferreira, de 27 anos, do Paranoá, diz que só veio ao Plano Piloto porque precisava fazer a inscrição para a faculdade. "Passei em enfermagem e o prazo para a inscrição era hoje. Mas é difícil. Vim em ônibus pirata, em pé, lotado. É um descaso. Por que tem isso todo mês?"

O corretor de imóveis Devanes Soares, de Planaltina, veio ao trabalho às 6h30, de carona, mas não sabia como iria voltar para casa. "Estou tentando ver se encontro um jeito. Se não der, vou ligar para amigos. A minha carona sai do trabalho só às 22h. Quero voltar antes."

A estudante Carla Linhares, de 28 anos, mora em Planaltina de Goiás. Ela esperava um transporte para o setor militar, onde o marido trabalha, no fim da tarde. "Ele vem de ônibus também, mas hoje, com a greve, precisamos vir de carro. Agora estou aqui sem saber como ir. É horrível e perigoso. Eu já fui assaltada aqui. A sensação é de insegurança."

O auxiliar de limpeza Deoclides Rodrigo de Oliveira, de 59 anos, diz que saiu de casa às 12h com medo de não conseguir chegar a tempo no trabalho. Ele entra às 19h.

"Vim de [transporte] pirata. Que outro jeito? E tudo lotado. Amanhã, para ir embora, nem sei como vai ser. Se não voltar [não terminar a greve] eu vou esperar pirata mesmo ou procuro uma carona."

A paralisação prejudica mais de 1 milhão de passageiros de todas as regiões administrativas do DF. O Tribunal Regional do Trabalho havia determinado que 70% dos ônibus circulassem em horário de pico e 50% no entrepico, mas a ordem não foi cumprida.

A opção é contrária à indicação do sindicato da categoria, que pediu aos rodoviários que cumprissem a decisão provisória do TRT. A multa diária por descumprimento da decisão é de R$ 100 mil. Os horários de pico vão de 5h às 9h30, das 11h às 13h e das 15h às 19h30.

O DF tem cerca de 12 mil rodoviários. Com a greve, as paradas de ônibus amanheceram lotadas. Policiais militares acompanharam a movimentação na garagem da Pioneira em Santa Maria, responsável por 200 mil passageiros de nove regiões. O DER liberou o trânsito de carros nas faixas exclusivas da EPTG e da EPNB até o meio-dia para diminuir os transtornos.

Pela manhã, o vice-presidente do sindicato dos rodoviários, Jorge Farias, afirmou que iria cumprir a determinação da Justiça de manter 70% dos ônibus em circulação nos horários de pico e, paralelamente, recorrer da decisão para tentar cassar a liminar. O salário de um motorista de ônibus é R$ 1.928 e o de um cobrador, R$ 1.008. As negociações com as empresas começaram em abril.

A última paralisação com grande adesão feita pela categoria ocorreu no dia 27 de maio, entre 11h e 15h. Os rodoviários afirmam aceitar renegociar o valor pretendido de reajuste, desde que o governo participe da discussão. O secretário de Mobilidade, Carlos Tomé, afirmou que a postura do Executivo tem sido a de acompanhar as negociações entre a categoria e as empresas.

"Ao contrário de outras categorias, os rodoviários não são funcionários do GDF. Entendemos desde o início das negociações que esse é um debate que precisa ser feito entre patrões e empregados. [...] O GDF tem se mantido em uma posição de neutralidade nessas negociações justamente por entender isso", declarou.

Fiscais da pasta foram deslocados para as garagens das empresas para acompanhar a movimentação dos funcionários. As cinco – Marechal, Pioneira, Piracicabana, Urbi e São José – afirmam que entrarão com uma ação de greve no TRT. O documento vai requerer que a negociação com os trabalhadores ocorra sob a supervisão da Justiça.

Fonte: G1 DF