DF: Na CPI do Transporte, ninguém se assumiu executor do contrato com as empresas de ônibus

Mesmo sem tantas respostas conclusivas, os parlamentares da CPI dos Transportes ficaram preocupados após os últimos depoimentos. Foram consultados diretores que passaram pelo DFTrans, mas nenhum deles se assumiu executor do contrato com as empresas de ônibus, como os deputados gostariam. Isso causou irritação em vários momentos e a comissão tentará ouvir os responsáveis pela gestão dos acordos.

O atual diretor técnico do Dftrans, Adônis Ribeiro Gonçalves - apesar de também não se reconhecer executor dos contratos - trouxe uma das falas que mais alertaram os membros da CPI. A constatação é de que a última licitação do transporte público traz apenas prejuízos aos cofres públicos, além de propor um novo modelo que ficou longe de ser implantado.

“A diminuição do número de ônibus ocorreria sem problemas com o transporte operado em novos moldes. No entanto, a transição para essa operação não aconteceu. Ninguém passa da água para o vinho sem transição”, disse o diretor.

Foram tirados de operação mais de 800 veículos. A proposta era ter uma operação focada em baldeações, diminuindo o tempo de espera dos passageiros. No entanto, o que aconteceu foi a continuidade da operação, só que com menos ônibus e número de assentos encurtado.

O que também surpreendeu os parlamentares no relato do diretor técnico foi a informação de que os subsídios do governo seriam pesados e teriam sido agravados pela “operação branca” do BRT, período em que não houve cobrança de passagem.

Além disso, a licitação prevê subsídios caso a arrecadação com passagens fique abaixo do esperado. O cálculo é feito com o número de passageiros – quanto menor, mais prejuízo ao governo – e de quilômetros rodados, que segue a lógica inversa.

Só com autorização

Já Ricardo Leite, ex-diretor operacional, revelou ter deixado o cargo por não concordar com as novas normas de fiscalização impostas pela gestão de Marco Antônio Campanella, ex-diretor geral. Segundo Leite, uma resolução determinava que todas as ações fiscalizatórias deveriam passar pelo crivo da direção. O trabalho dos fiscais seria ou não autorizado por Campanella. “O que aconteceu foi que as consultas que fizemos a ele, não tiveram sequer resposta”, relatou.

Os desentendimentos teriam provocado ações no Ministério Público e o sindicato que indicou o nome de Ricardo Leite abriu mão do cargo. Hoje é assessor especial na Secretaria de Mobilidade.

Foi doador de campanha, diz deputado

O deputado Rafael Prudente (PMDB) ironizou a justificativa do ex-diretor sobre sua indicação. “Ia perguntar quem foi o responsável pela nomeação, mas o senhor Ricardo Leite consta na lista de doadores de campanha do ex-governador Agnelo”, afirmou. A decisão de contribuir teria sido “de foro íntimo”, segundo o ex-diretor operacional.

O relator da CPI, Raimundo Ribeiro (PSDB) disse que a oitiva deixou claros os defeitos da licitação e criticou a falta de conhecimentos de Raimundo Lira. “Com a formação escolar que tem, não teria como ocupar um cargo como esse. Talvez por isso não soubesse de nada e não participasse de decisões, apesar de ser um dos diretores”, avaliou.

Bispo Renato disse que é necessário estudar até a intervenção nas empresas. “Se não houver outro jeito, o Estado está aí para garantir o serviço à população”, propôs.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília