Goiânia: Início adiado pela quarta vez

As obras do corredor para o ônibus de trânsito rápido (Bus Rapid Transit ou BRT, na sigla em inglês) não começaram na segunda quinzena de abril, conforme promessa feita pelo prefeito Paulo Garcia (PT) no fim de março, quando foi assinada a ordem de serviço. Este é o quarto adiamento para o início das obras do BRT na capital que deveriam ter começado no segundo semestre do ano passado.

O novo atraso se deu pela falta de documentos do Consórcio BRT Goiânia, formado pelas empresas Isolux, EPC e WVG. O problema é visto como burocrático na Prefeitura de Goiânia e há esperança de que a obra possa começar ainda nesta quinzena, embora não se tenha uma data definida, pois a documentação não depende do município nem das empresas. A expectativa do Consórcio era de que a documentação saísse na semana passada ou no início dessa semana.

A reportagem tentou contato com o coordenador da Unidade Executora do BRT Goiânia, Ubirajara Abbud, na tarde de ontem, mas ele não atendeu às ligações. Abbud estaria em Brasília.

Desde que a licitação para a obra foi lançada, já houve problema com o processo licitatório, com questionamentos dos resultados por parte das empresas perdedoras, o que atrasou o processo. Depois, a assinatura do contrato entre Consórcio e Prefeitura de Goiânia, que aconteceria em janeiro deste ano, foi adiada também por problemas burocráticos, já que a empresa demorou para obter registro na Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg).

O terceiro adiamento do início da obra ocorreu em função da assinatura da ordem de serviço, já que Paulo Garcia queria alinhar sua agenda com a da presidente Dilma Rousseff, visto que a obra tem financiamento federal. A assinatura só ocorreu no fim do mês passado, quando o prefeito estimou o início da obra para a segunda quinzena de abril.

Neste período, o Consórcio chegou a realizar três planos de obras para o BRT Goiânia, mas dois foram rejeitados pelos técnicos da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC). O documento só foi entregue no dia 24 de abril e posteriormente regularizado pelos técnicos municipais. Este plano contém as mudanças de rotas no trânsito e a forma de trabalho dos agentes fiscalizadores.

Trabalho

O canteiro de obras definido pelo Consórcio, localizado no fim da Avenida Goiás Norte, no Setor Balneário Meia Ponte, ainda não foi construído. Alguns funcionários trabalham na estrutura. O local recebeu apenas um novo container e trabalho de terraplanagem na parte mais afastada da entrada desde o último dia 20.

Segundo apurou a reportagem, ainda não foram contratados servidores para a execução do corredor do BRT. Haveria impedimento em realizar essas contratações justamente pela falta dos documentos do Consórcio, o que poderia recorrer em ilegalidade. Os funcionários que estão no canteiro já não arriscam uma previsão para começar os trabalhos na rua e esperam respostas. No dia 20 de abril, OPOPULAR esteve no local e havia grande movimento de interessados em trabalhar para o Consórcio.

À época, a resposta aos interessados era de que voltassem no dia 27, quando ocorreria uma seleção para quem fosse atuar na obra de estruturação, enquanto no dia 22 seriam escolhidos os funcionários para atuar na construção do canteiro de obras. Diversos interessados ainda vão ao canteiro.

Roçagem no canteiro central foi iniciada

Embora sem uma data definida para ser iniciada a obra do corredor de trânsito rápido, trabalhos acessórios já estão sendo realizados.

A reportagem do POPULAR verificou que a Prefeitura iniciou a roçagem do canteiro central na Avenida Goiás Norte, entre a Praça do Violeiro e o cruzamento com a Avenida Perimetral Norte. Esse é um dos pontos em que a obra vai ser iniciada.

Até a tarde de ontem, a roçagem tinha sido feita até o cruzamento com a Avenida Francisco de Araújo. O serviço, no entanto, não está sendo colocado como parte das obras do BRT, justamente pelo impedimento em iniciar o trabalho devido à falta de documentação. O outro ponto de início da obra será na Avenida Rio Verde, entre Aparecida de Goiânia e a capital, até a trincheira com a Avenida Tapajós, local em que será construído, posteriormente, um viaduto.

Fiscalização

Amanhã deverá ocorrer a abertura das propostas do processo licitatório para a fiscalização das obras do BRT. Esse processo é a parte do que levou a escolha da empresa executora da obra. O serviço é orçado em R$ 9,6 milhões e o trabalho é realizar as medições da obra e verificar se ela está sendo cumprida dentro dos critérios técnicos acordados. A licitação é do tipo preço global e serão avaliados o custo e a técnica.

Fonte: O Popular