Goiânia: Semáforos geram transtornos por falta de sincronização

Anda um pouco, para o carro. Anda mais um pouco e para de novo. É mais ou menos assim que os motoristas ficam quando os semáforos seguidos estão dessincronizados. Caso que acontece em alguns pontos da capital goiana. A equipe do Jornal O Hoje percorreu vias de grande fluxo como a Avenida 136, e Avenida 85, que são exemplo de constantes reclamações pelos usuários, e verificamos o fluxo do trânsito e a sincronização destes semáforos. O resultado é de meia hora para atravessar apenas cerca de três quilômetros, no caso da Avenida 136.

O percurso foi a partir da rotatória do relógio na Avenida Jamel Cecílio até o final da Avenida 136, por volta das 16 horas. A região conta com 11 sinaleiros e, enquanto a reportagem do O HOJE percorria a via, em nove deles não foi possível passar sem que se esperasse pela mudança de vermelho para verde mais uma vez.

O funcionário público, Carlos Alberto, 72, conta que faz o trajeto entre a avenida todos os dias e acredita que a solução existe, bastando apenas ser implantada. “Falta um sistema computadorizado, que analisaria o tráfego e chegasse a uma solução em tempo real pra evitar isso. É preciso mudar isto, como acontece aqui e na T-15”, reclama.

O Secretário da SMT, José Geraldo Freire, nega que esta situação aconteça. Ele alega que os semáforos na Avenida 136 estão sincronizados, pois abrem de forma sequencial. “Os semáforos são programados conforme a demanda de veículos pesados, transporte coletivo e pontos de travessia para pedestre. Em um cruzamento, o tempo de verde é distribuído proporcionalmente ao fluxo veicular de cada uma das vias”, diz.

Onda Verde

Embora o corredor da 85, tenha sido criado para aumentar a velocidade do transporte público na via, muitos usuários dizem não ter percebido até agora esta melhora. A reportagem do O HOJE percorreu os 4,7 km da avenida e cronometrou o tempo do percurso também neste local. O trajeto começou as 16h35 e terminou ás 17h07, 32 minutos em um percurso fora do horário de pico. Um trajeto que poderia ser feito em menos de 15 minutos, se for considerada uma velocidade constante de 50km/h.

Freire informa que novos planos semafóricos foram implantados na Avenida 85, para garantir maior fluidez, em especial, ao transporte coletivo. “A melhora de tráfego na via já está visível desde a última quarta-feira, 27, mas continua sendo monitorada diariamente assim com as demais vias e cruzamentos na região”, garante.

O advogado Vinicius Neves, 27, reclama da demora que passa por todos os dias em vias como a 85. “É horrível ter que passar por congestionamento todo dia, seja em qualquer horário que eu passe por aqui ou em alguns outros trechos como a Avenida Anhanguera também” afirma. “Andamos um pouco e o outro sinaleiro já está fechado. O sinal verde fica tão pouco tempo, é um absurdo pelo grande fluxo de carros que existe” completa.

Número de veículo também é problema

O secretário da SMT, diz que nos casos das Av. 136 e 85, a alta quantidade de veículos superando a capacidade da via é o principal motivo para o tempo de percurso observado atualmente. Para se ter um comparativo, de 2010 para 2014, segundo o IBGE, aumentou-se em mais de 100 mil o número de pessoas que vivem na cidade. A população estimada hoje, de acordo com o instituto, é de mais de 1,4 milhões. “Considerando essa quantidade de veículos, sem contar com a população de idosos que não dirigem e de jovens de 0 a 17 anos que não possuem habilitação, o número é de aproximadamente um veículo para cada habitante” explica o secretário.

Segundo o Coordenador de Engenharia de Transporte do Instituto Federal Goiano (IFG), Professor Roberto Veloso, o problema do trânsito na capital goiana está no planejamento urbano. “A Onda Verde, é uma boa opção, o grande problema está no grande volume de veículos. Mas como muitos semáforos, como da Avenida 136, não são apropriados para esta tecnologia, devido o alto custo, segundo a prefeitura, a situação só piora” relata.

Para o especialista, a solução está em diversos mecanismos que necessitam ser implantados. “Deveria haver um escalonamento dos horários de início das atividades e saída de empresas e escolas. A reprogramação dos horários é uma das medidas eficazes que cidades como Rio de Janeiro e Curitiba já utilizam” explica. Outra medida citada, é que Goiânia não deveria responder pelo trânsito, já que recebe motoristas de outras cidades do entorno. “É preciso uma política metropolitana. Não adianta apenas fazer como na Rua 90, onde reduziram a velocidade, e tirou o tráfego desta via, mas transferiu para as vias paralelas” conclui.

Fonte: O Hoje