DF: Mesmo com obras ainda em execução, Expresso DF terá cobrança a partir de sexta-feira

Às vésperas de completar um ano e ainda com obras em andamento, chega ao fim a operação de testes do Expresso DF. A partir da próxima sexta-feira (3), o valor das passagens dos ônibus que ligam Gama, Santa Maria e Park Way ao Plano Piloto passa a ser de R$ 3. A cobrança, que iria começar em 28 de março, foi adiada devido as reclamações dos usuários sobre o tempo.

A inauguração do Expresso DF contou com a presença da presidente Dilma Rousseff. A obra, que custou R$ 648 milhões, contou com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do governo distrital.

O sistema, porém, ainda é alvo de fortes críticas dos passageiros que o utilizam. Atualmente, segundo o Governo do Distrito Federal, cerca de 200 mil pessoas são atendidas pelo Expresso DF. Entre as reclamações dos usuários, estão a estrutura, falta de equipe de apoio e de organização nos terminais.

Uma das principais reclamações dos usuários é a organização dos terminais. Em março, uma confusão entre duas mulheres começou após o empurra-empurra na entrada de um ônibus. Uma das mulheres diz ter sofrido racismo. Não haviam fiscais ou policiais por perto.

Segundo o DFTrans (Transporte Urbano do Distrito Federal), o modelo de embarque do Expresso DF deveria ser semelhante ao usado no metrô, sem filas. Porém, a demanda é grande e o tamanho dos veículos é menor. Nos terminais faltam fiscais e sobram passageiros.

A estudante de gestão em saúde, Anna Carolyne Alencar, defende o projeto, mas lembra que é necessária uma organização melhor.

— Eu acredito que o BRT seja sim uma boa ideia. Porém, para que seja um transporte efetivo é necessário que as pessoas tenham educação. Tendo como base a má educação e a falta de respeito de alguns é imprescindível que tenham profissionais contratados pelo DFTrans para organizar.

Ela lembra que a melhora do sistema depende da conversa entre os responsáveis e os usuários.

— Não adianta nada um servidor superior dar uma ordem para o fim das filas sendo que ele não vivencia aquilo e não dá voz a população.

Já a assistente administrativa, Eliane Roque, começou a usar o Expresso DF recentemente. Ela contesta sobre a conservação do sistema.

— Vejo uma obra que gastou milhões sem ter cumprido com a ideia pelo qual foi construída. Temos estações que ainda não foram terminadas. Algumas têm vidro quebrado, o que mostra que não tem pessoas ali cuidando da conservação.

O funcionário público, Anderson Sá, morador do Residencial Santa Dumont, na saída de Santa Maria, reclama sobre o tempo gasto dentro dos terminais para a integração na volta para casa.

— Se na volta você chegar ao terminal logo após a saída da linha, tem que esperar meia hora até o próximo. Se o sistema promete agilidade, essa demora acaba com isso. O deslocamento entre a satélite e o Plano Piloto até que é ágil, mas para chegar em casa se perde um tempo grande.

Para quem mora no residencial, outro grande problema é a parada de ônibus na BR-040. Desde que a obra começou, o abrigo dos passageiros foi retirado.

— Retiraram o abrigo de passageiros da parada no sentido Plano Piloto e nunca instalaram um novo. As pessoas enfrentam sol, chuva e não tem como se proteger. Além disso, também não existe iluminação pública, aumentando os riscos de assaltos.

Sobre o problema, o DFTrans informou que o consórcio que atende a BR-040 seria o responsável pela estrutura da parada de ônibus. Por meio de sua assessoria, a empresa Via BR-040, no entanto, disse que o trecho onde a parada estava instalada não é de sua responsabilidade.

Fonte: R7 DF