DF: Por falta de transporte, manifestantes fecham a BR-080

Moradores de Brazlândia, no Distrito Federal, fecharam as saídas da região por volta de 5h30 desta segunda-feira (19) para protestar por melhorias no transporte público. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 300 pessoas queimaram pneus e madeiras e bloquearam as saídas da região em quatro pontos: no acesso ao Incra 8, na via do Núcleo Rural Rodeador, no DF, e nos acessos à Padre Bernardo, Padre Lúcio e Águas Lindas, em Goiás. Por volta de 9h40, o congestionamento na BR-080 chegava a 10 km.

Os manifestantes pedem o retorno da cooperativa Alternativa, que faz as linhas internas na região. Os rodoviários da empresa estão paralisados desde o dia 7 deste mês para cobrar o pagamento dos salários de novembro e dezembro, 13º salários, cesta básica e tíquete. São 40 micro-ônibus a menos sem rodar e 140 rodoviários paralisados.

Em nota, o DFTrans informou que o repasse diário para as cooperativas está em dia, mas que por conta da paralisação, a Alternativa não tem recebido a verba nas datas previstas. O órgão informou ainda que está fazendo o levantamento das dívidas de todas as empresas a fim de regularizar o fluxo financeiro do transporte público no DF.

Sem transporte

Sem os micro-ônibus que fazem as linhas internas de Brazlândia, os manifestantes relatam dificuldades vividas há quase duas semanas para chegar ao trabalho. "Com essa paralisação dos ônibus, a gente tem que se arriscar nos piradas, nas caronas e até pegar carro de desconhecidos para ir trabalhar", disse a secretária Osmarina Alves. "Aviso para o meu chefe todos os dias que está difícil trabalhar, mas ele não acredita."

"Essa paralisação está afetando o meu bolso. Ônibus direto que eu pagava R$ 3, agora pago R$ 10, para o pirata. Minha chefe não quer nem saber. Não está compensando ir trabalhar. Precisamos mudar isso e estamos esperando o Rollemberg para resolver", disse a garçonete Sobamicoci Rodrigues.

Presa no congestionamento, a secretária Osmarina Alves disse que apoia o protesto. "Já tentei sair de Brazlândia por todo lado, mas está tudo fechado. Ninguém sai e ninguém entra. É horrível. Mas apoio a manifestação, porque aqui está difícil. Não tem ônibus há mais ou menos 15 dias", afirmou.

O Sindicato dos Rodoviários de Cooperativas de Micro-ônibus informou que não participa do protesto e que não se envolve em manifestações do tipo. Na semana passada, motoristas e cobradores da MCS e Cootarde, que também estavam paralisadas, voltaram ao serviço após chegarem a um acordo com as cooperativas. No início do mês, o presidente do sindicato, Diógenes Santos, informou que a dívida do GDF com as cooperativas chegava a R$ 1,4 milhão.

Fonte: G1 DF