DF: GDF pretende implementar bilhete único do transporte público em um ano

A Secretaria de Mobilidade do Distrito Federal tem o difícil desafio de implementar medidas para melhorar um dos piores sistemas de transporte público do País. Defasada, a rede de ônibus coletivo e metrô submete passageiros a rotinas de superlotação a espera por horários indefinidos a um custo que chega até R$ 3 por viagem.

Apesar das diversas necessidades, o secretário da pasta, Carlos Henrique Tomé, tem uma meta em especial, a implementação do bilhete único em um prazo de um ano. O sistema vai permitir que o usuário utilize diversas modalidades de transporte - ônibus, metrô micro-ônibus e VLT - várias vezes ao dia com o pagamento de apenas uma tarifa.

Além da integração entre os modais, haverá a integração entre linhas de ônibus e entre linhas de metrô. Atualmente, a integração no transporte público do DF é parcial entre o metrô e algumas linhas de ônibus.

— O objetivo é criar um bilhete que possa ser temporal, que você compre o bilhete para uma semana, para um mês, para seis meses e use quantas vezes quiser por dia, explica Tomé.

O secretário reitera, no entanto, que a implementação do programa vai depender do equilíbrio econômico do sistema de transporte. Nos últimos meses, cobradores e motoristas de empresas e cooperativas realizaram uma série de greves e paralisações para cobrar pagamentos atrasados de salários, vale-alimentação, 13º salário e valores referentes à cesta básica mensal.

O problema teve início por falta de repasses de verbas do governo anterior para as organizações concessionárias das linhas de transporte coletivo. O rombo chegou a R$ 58 milhões. O secretário de Mobilidade diz que, além dos problemas administrativos, o sistema em si tem um quadro histórico de desequilíbrio financeiro, o que, segundo Tomé, é um dos motivos da esperar de um ano para a implantação do bilhete único.

— Ele é necessariamente gradual do ponto de vista financeiro. Para não gerar rombo no caixa, tem que ser planejado e gradualmente implantado.

Para Tomé, a situação econômica do transporte público é uma prioridade. Ele afirma que o gasto é muito superior à arrecadação, embora ainda não saiba dizer qual seria o déficit mensal. Os principais gastos, afirma, são com subsídios do passe livre, direito de estudantes e deficientes crônicos. Uma das medidas para reequilibras as contas pode ser o impopular aumento das passagens.

— Não estou dizendo que isto vai acontecer, mas estou dizendo que não é uma medida que pode ser descartada.

Fonte: R7 DF