DF: Bilhetagem automática também é afetada pela crise financeira. E não há previsão de solução

Há mais de um mês, trabalhadores do Distrito Federal que recebem vale-transporte não conseguem utilizar os cartões nos ônibus. O motivo, segundo o DFTrans, está relacionado à crise financeira no GDF, que não paga há cinco meses a empresa responsável pelas bilhetagens, a Transdata. A dívida chega a R$ 5 milhões, de acordo com o secretário de Mobilidade, Carlos Henrique Tomé, e não existe previsão de quando a situação será normalizada. Enquanto isso, a conta atinge o bolso do cidadão.

“Estou gastando R$ 10 por dia para ir ao trabalho. Desde o dia 28 do mês passado, quando o cartão deveria ter sido liberado, estou arcando com os custos. A empresa dá R$ 94 para o mês todo. Sem isso, realmente não sei como vai ser, porque o que ganho não é muito. E, infelizmente, faço as contas na ponta do lápis. Quer dizer, eu estaria pagando para trabalhar”, contou a vigilante, moradora do Gama, Grazieli da Silva, de 35 anos.

Negociação

Hoje, informou o responsável pela pasta de Mobilidade, há uma reunião com os representantes da empresa, na própria secretaria, para buscar uma solução. De acordo com Tomé, o governo tem feito todos os esforços possíveis para quitar esta dívida e normalizar a situação. Contudo, as negociações têm sido feitas pelo próprio DFTrans, que também não deu qualquer previsão de quando o serviço voltará a funcionar.

Além de não poderem utilizar o vale-transporte, os usuários também não conseguem adquirir os cartões. Segundo o DFTrans, está suspenso o cadastro de novos bilhetes até que a situação se normalize. O órgão avalia ainda que a atitude da empresa de bilhetagem é uma forma de pressionar o GDF.

Uma funcionária do Transporte Urbano, cuja identidade será preservada, afirmou ao JBr. que as empresas do DF já fizeram o depósito dos valores do vale- transporte ao DFTrans, porém “não há dinheiro no caixa para pagar a Transdata”, a empresa responsável pelas bilhetagens.

A Transdata foi procurada para saber se há previsão de normalização do sistema, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

Passageiro contabiliza prejuízos

Desde o início do mês, o auxiliar administrativo Nairon Silva, de 28 anos, já gastou R$ 90 em passagem de ônibus. Sem poder utilizar o cartão, ele paga, diariamente, R$ 10 para ir e voltar do trabalho, no Plano Piloto. Agora, o morador do Itapoã teme que a situação não seja resolvida o quanto antes, já que seu salário é de R$ 775.

“A empresa não vai me ressarcir. Até porque fomos informados de que o valor do vale-transporte já foi transferido ao DFTrans. É uma situação absurda, que mais uma vez pesa para o cidadão”, critica.

Assim como ele, a secretária Lucília Magalhães, de 34 anos, também vem arcando com os custos diários da passagem de ônibus. Só que, no seu caso, a situação já dura mais de dois meses.

“Não consigo recarregar, simplesmente isso. O DFTrans está com sistema fora do ar o tempo todo. Acho que nessa brincadeira acabo gastando uns R$ 200 por mês, porque são R$ 10 por dia. É muita coisa para quem ganha pouco. Um valor que faz falta dentro de casa”, reclama a moradora de Planaltina.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília