DF: Após quase 7 horas de protesto, grupo libera saídas de Brazlândia

Após quase sete horas de protesto, moradores e rodoviários da cooperativa de micro-ônibus Alternativa, que faz as linhas internas de Brazlândia, no Distrito Federal, liberaram a BR-080 e as demais saídas da região, por volta de 12h15. Segundo a PM, cerca de 300 pessoas começaram a queimar pneus e madeiras por volta de 5h30, em quatro pontos: no acesso ao Incra 8, na via do Núcleo Rural Rodeador, no DF, e nos acessos à Padre Bernardo, Padre Lúcio e Águas Lindas, em Goiás.

O vice-governador, Renato Santana, que assumiu interinamente a administração de Brazlândia, e o secretário de Transportes, Carlos Tomé, chegaram ao local por volta de 11h e se reuniram com o grupo para negociar a liberação da via e as reivindicações do grupo. Uma nova reunião foi marcada com os moradores para esta terça (20). O G1 não conseguiu contato com a Alternativa.

Os manifestantes pedem o retorno da cooperativa. Os rodoviários da empresa estão paralisados desde o dia 7 deste mês para cobrar o pagamento dos salários de novembro e dezembro, 13º salários, cesta básica e tíquete. São 40 micro-ônibus a menos sem rodar e 140 rodoviários paralisados.

Santana informou que o GDF não tem pendências financeiras com a Alternativa. "A Alternativa, que é a empresa de ônibus, está recebendo rigorosamente todos os repasses do governo. O GDF não tem débito com essa empresa. Por isso, não justifica o não pagamento dos funcionários", disse Santana.

Em nota, o DFTrans informou que o repasse diário para as cooperativas está em dia, mas que por conta da paralisação, a Alternativa não tem recebido a verba nas datas previstas. O órgão informou ainda que está fazendo o levantamento das dívidas de todas as empresas a fim de regularizar o fluxo financeiro do transporte público no DF.

Os rodoviários afirmam que estão há três meses com os salários atrasados. "A situação está difícil. Eles [cooperativa] estão me devendo muito dinheiro, aproximadamente R$ 3 a R$ 4 mil", disse a trabalhadora Gislaine Viegas. "A gente quer uma solução. Nós paramos as atividades há 13 dias e está sempre tentando uma negociação, mas nunca falam nada para a gente. Estamos com três salários atrasados. Minhas dívidas não podem esperar. Só quem está sem dinheiro sabe o tanto que é ruim."

Sem transporte

Sem os micro-ônibus que fazem as linhas internas de Brazlândia, os manifestantes relatam dificuldades vividas há quase duas semanas para chegar ao trabalho. "Com essa paralisação dos ônibus, a gente tem que se arriscar nos paradas, nas caronas e até pegar carro de desconhecidos para ir trabalhar", disse a secretária Osmarina Alves. "Aviso para o meu chefe todos os dias que está difícil trabalhar, mas ele não acredita."

"Essa paralisação está afetando o meu bolso. Ônibus direto que eu pagava R$ 3, agora pago R$ 10, para o pirata. Minha chefe não quer nem saber. Não está compensando ir trabalhar. Precisamos mudar isso e estamos esperando o Rollemberg para resolver", disse a garçonete Sobamicoci Rodrigues.

Presa no congestionamento, a secretária Osmarina Alves disse que apoia o protesto. "Já tentei sair de Brazlândia por todo lado, mas está tudo fechado. Ninguém sai e ninguém entra. É horrível. Mas apoio a manifestação, porque aqui está difícil. Não tem ônibus há mais ou menos 15 dias", afirmou.

O motorista Aniel Gonçalves disse estar preso no congestionamento desde 5h30. "Vou levar essa carga de cevada para Padre Bernardo. Era para ter entregue há muito tempo, e já ter recarregado o caminhão para outra entrega. É ruim pagar o preço por outras pessoas", disse.

O Sindicato dos Rodoviários de Cooperativas de Micro-ônibus informou que não participa do protesto e que não se envolve em manifestações do tipo. Na semana passada, motoristas e cobradores da MCS e Cootarde, que também estavam paralisadas, voltaram ao serviço após chegarem a um acordo com as cooperativas. No início do mês, o presidente do sindicato, Diógenes Santos, informou que a dívida do GDF com as cooperativas chegava a R$ 1,4 milhão.

Fonte: G1 DF